Sobre o que não sei, sobre o que o corpo disse agora vendo os vídeos nossos

Já me revirei duas ou três vezes entre espaços e passos imprecisos dos nossos instantes.

Não havia nada além de uma densa nuvem que me apontava que o centro do meu peito era o mundo.
Eu senti carros passando, músicas deitadas nas minhas pálpebras… o toque de um de vocês, ouvi pássaros, vi minha mãe dormindo, sonhei com um ontem dentro de ontem, vi coisas vivas, coisas mortas… entonteci com uma colheita de instantes.
Parei um segundo:
Girávamos com um papel higiênico na mão.
Talvez ali um olhar meu sobre antes, sobre os meus relevos de vida, ali naquele voo havia desprendido algo.
Algo surdo, entre a minha sensibilidade ou o meu desejo de apenas ir.
Fui ar e nem percebi.
Talvez eu tenha me reconhecido inteiro saudade, eu não sei.
Tento agora partilhar o que me desencontrou de mim em mim
e como uma pequena flor qualquer,
ordinária enquanto luz do olhar de alguém,
eu não entendo – mas sinto – um friozinho na ponta da unha e uma vontade de chorar vendo nossos corpos.
Há algo nessa aisthesis que me acorda.
(talvez seja afeto, Jonathan.)
Há algo que eu não evito porque quando me toma, me toma pelas costas.
Me dança pelas costas.
[Jonathan Andrade, por e-mail]
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